estímulos

Terpenos para abusar na cozinha

Substâncias presentes na cannabis e em outras plantas aromatizam receitas e ganham espaço na gastronomia

por Beatriz Marques Atualizado em 8 set 2020, 20h01 - Publicado em 14 ago 2020 01h32
-
Clube Lambada/Ilustração

ma das marcas significativas da maconha é o aroma. Quem nunca sentiu alguém fumando um beck a quilômetros de distância? A riqueza da marofa tem justificativa: a complexidade de seus terpenos.

O termo é popular entre os consumidores da erva, já que pesquisas revelam grande complexidade de terpenos na sua composição (são mais de 100). Mas não é algo exclusivo à cannabis: ervas, frutas, raízes, madeira e muitos elementos da natureza são lotados desses compostos orgânicos responsáveis pelo aroma.

“Há empresas no exterior comercializando terpenos para o mercado canábico e muitos brasileiros estavam importando. Então, por que não produzi-los aqui?”

João Lordello, sócio da Cool Terps

Alguns de seus nomes dão boas dicas. O limoneno, por exemplo, é bastante encontrado nas frutas cítricas; o pineno está presente em pinheiro, eucalipto e sálvia. Já o linalol é bem representado por flores como o lírio e a lavanda. Outra qualidade dos terpenos é seu papel terapêutico. Eles são a base de óleos essenciais, muito usados em tratamentos para depressão, ansiedade, dores musculares e até problemas respiratórios. Quando aplicado isoladamente, o terpeno tem poder ainda maior. “O óleo essencial ainda recebe outros produtos na composição, o que o torna menos potente”, explica João Lordello, sócio da Cool Terps, empresa brasileira de terpenos inaugurada no ano passado.

Quando se trata de alimentação, o grande barato dos terpenos é conseguir aromatizar qualquer produto com pouquíssima quantidade – um ótimo negócio para quem trabalha em escala industrial. Esse é o grande objetivo da Cool Terps, mas, neste início, a empresa se voltou para os apreciadores da cannabis. “Há empresas no exterior comercializando terpenos para o mercado canábico e muitos brasileiros estavam importando. Então, por que não produzi-los aqui?”, questionou-se o empresário. 

View this post on Instagram

Nesse dia dos namorados que tal terpenar sua bebida e sentir o sabores das suas flores preferidas !!! ⁣💚🍁💘 ⁣ Salve Cooler!!! Hoje viemos dar mais uma dica de uso dos Terpenos da Cool Terps no preparo de drinks e bebidas. 🥂🍻🍸🥛⁣ ⁣ Como vocês já sabem os Terpenos da Cool Terps são 100% naturais e são muito utilizados para fins culinários. Nesse caso a aplicação em bebidas é bem simples, basta acrescentar 1 gota de terpeno em até 1 litro da sua bebida preferida.⁣ ⁣ Nossos Blends de terpenos recriam o sabor, aroma e propriedades terapêuticas das strains; Diesel, Berry White, Lime Kush e Mango. Não contém #canabinóides. ⁣ ⁣ Crie e experimente novas sabores na sua vida com a Cool Terps !⁣ A venda nas melhores lojas.⁣ ⁣ ⁣ ⁣ ⁣ #coolterps #terpenoscoolterps #coolterpsterpenos #terpenoberrywhite #terpenoscomprar #terpenooqueé #terpenosaromaterapia #aromaterapia #terpenosterapeuticos #terpenos #terpeno #terpenobrasil #terpenonatural #naturalterps #terps #terpenolimekush #terpenocannabis #terpenomango #terpenocomprar #comprarterpeno #terpeno #terpenodiesel #cervejacomterpeno #bebidacomterpeno #sucocomterpeno #strain #linalol #pineno #limekush #terpenandobebidas⁣

Continua após a publicidade

A post shared by Cool Terps (@coolterps) on

Hoje, há quatro blends criados pela Cool Terps: Mango, Diesel, Lime Kush e Berry White, todos relacionados às cepas comuns aos consumidores. “Os nomes despertam curiosidade entre os leigos, que não fazem associação direta à maconha. Por outro lado, atrai quem já conhece as cepas. Assim, conseguimos atingir os dois mercados”, justifica. Antes que saiam pensando que a empresa está usando cannabis, Lordello faz questão de frisar que seus produtos são elaborados de forma totalmente legal. E, mesmo se o cultivo fosse liberado no Brasil, talvez não fosse tão vantajoso usar a erva na produção. “Extrair [os terpenos] da flor de cannabis é muito caro e ainda corre o risco de ter THC e CBD na composição”, conta ele, que consegue terpenos de outras fontes naturais e recombina-os, para chegar ao aroma da maconha.

Se por um lado esses terpenos costumam ser a salvação para os maconheiros aromatizarem seus prensados de baixa qualidade, de outro eles são um grande atrativo para quem quer brincar com os aromas na gastronomia. A sommelière e especialista em bebidas Carolina Oda foi apresentada aos terpenos da Cool Terps e viu uma oportunidade de trazer intensidade e persistência aromática para bebidas, sejam elas drinques, cervejas e até não alcoólicos. “No futuro, se vender os terpenos separadamente, você vai poder fazer seu blend exclusivo, o que é também legal”, opina a especialista.

-
Deco Farkas/Ilustração

Outro gancho para o uso dos terpenos “canábicos” está no público cervejeiro, como sugere Carolina. “Muita gente sabe que lúpulo e cannabis são primos, então podem atrair os amantes de IPA [estilo de cerveja bem lupulada] pela familiaridade desses aromas”, completa. Já tem cervejaria explorando esse parentesco: a Hipnose, de Lençóis Paulista (SP), em colaboração com Sommelier da Depressão, lançou recentemente uma Session IPA feita com terpenos “canábicos” e leva o sugestivo nome O seu cheiro me lembra… “Há mais dez cervejarias bacanas que estão testando nossos produtos”, avisa Lordello.

“Muita gente sabe que lúpulo e cannabis são primos, então podem atrair os amantes de IPA pela familiaridade desses aromas”

Carolina Oda, especialista em bebidas

Os terpenos da Coop Terps são vendidos em uma pipeta com 1 ml e, segundo o empresário, basta uma gota para aromatizar 1 litro de cerveja. Também dá para usar um álcool mais neutro, como a vodca, para fazer sua própria bebida “maconhada”. Como o terpeno é muito volátil, não é recomendado usar em pratos quentes. “Vai bem em sobremesas e bebidas e comidas geladas”, recomenda Lordello. Mas a brincadeira não é tão barata. Os valores variam entre R$ 90 (Lime Kush) e R$ 220 (Berry White). Se quiser se arriscar, aproveite as duas receitas de Carolina Oda com os terpenos, com exclusividade para a Elástica.

Continua após a publicidade
-
Deco Farkas/Ilustração

Clericot Amarelo

por Carolina Oda

Ingredientes

250 ml de vinho branco
200 ml de soda limonada
1 laranja
1 pêssego em calda
1 maçã
1 gota de terpeno Mango
gelo a gosto

Pique as frutas e coloque numa jarra. 

Modo de preparo

Misture a gota de terpeno a 50 ml do vinho branco e misture bem. Pode ser dentro de um pote de vidro, agitando como se fosse uma coqueteleira. Como o terpeno tem densidade diferente da do vinho, assim, ele ficará mais uniforme no drink. Coloque este vinho e o restante na jarra com as frutas, encha de gelo e, por último, para manter bem o gás, a soda, lentamente. Use uma colher comprida para misturar levemente, levando-a ao fundo da jarra e puxando as frutas de baixo para cima. Sirva em taças com gelo.

Continua após a publicidade
-
Deco Farkas/Ilustração

Kush Marshmallow

por Carolina Oda

Ingredientes

2 claras
120 g de açúcar
50 ml de água
1 gota de terpeno Lime Kush

Modo de preparo

Coloque a água numa panela, adicione o açúcar e leve ao fogo baixo. Não fique mexendo. Logo que levar a calda ao fogo, comece a bater as claras em neve e deixe até ficarem firmes, fazendo picos quando levanta o batedor. Quando a calda tiver levemente dourada – não deixe ficar cor de caramelo. É antes – , retire do fogo e vá despejando sobre a clara, bem devegar, em fiozinho, sem parar de bater. Caso esteja batendo na mão, pode ser melhor pedir para outra pessoa ir despejando. Pingue a gota de terpeno e bata até misturar bem. Coloque sobre frutas, como morango, sobre a sua torta de limão favorita, bolos…

____

As imagens que você viu nessa reportagem foram feitas por Deco Farkas. Confira mais de seu trabalho aqui

Continua após a publicidade
Tags Relacionadas
mais de
estímulos
raya.app1.final.esquerda-

O Tinder dos famosos

Por
Passei um mês no Raya, o "Tinder dos famosos" – entre prints proibidos e perfis de pessoas com milhões de seguidores, aqui conto como foi a experiência
Quem são Dora Varella e Luizinho Francisco, ícones da nova geração que arrepiam na modalidade park
roger-cipo-orixas

Ser cura na secura

Por
Como a força dos elementos da natureza e dos orixás podem nos levar a maneiras melhores de nos relacionarmos
1-sugars

O amor é feito de açúcar

Por
Já ouviu falar em relação sugar? Conversamos com duas babies, um daddy e uma mommy para entender melhor esse jeito (nada novo) de se relacionar
37113062613_b0b4d9cb8f_o

Amar sem possuir

Por
Contra a lógica heteronormativa, há muitas outras possibilidades de relacionamentos. Conheça as histórias de três mulheres não monogâmicas e LGBTQIA+