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Luz, câmera… pegação?

Com encontros às cegas de cinco minutos, o projeto Love is in the Cloud leva afeto, amor e a oportunidade de flertar para os solteiros em quarentena

por Alexandre Makhlouf 3 jul 2020 12h51
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Clube Lambada/Ilustração

solamento social, quarentena, pandemia. Entre tantas batalhas que precisamos enfrentar durante esse período difícil, a solidão com certeza tem sido um grande obstáculo. Não à toa, os casos de depressão aumentaram em quase 50% e os de ansiedade, em 80% desde o início da quarentena no Brasil, aponta um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas, na luta contra o vírus, muita gente se viu na necessidade de combater também a carência – que virou até tema de música.

Foi um pouco por esse incômodo de estar presa em casa, um pouco pelo repertório ideal para criar experiências que transformam, que Isabella Nardini teve a ideia de um novo projeto. “O que mais me fazia falta era poder acessar o frescor do desconhecido. Percebi que, ao acessar pessoas que eu não conhecia, podia acessar um novo mundo. Também sempre fui conectora, adorava receber amigos em casa e apresentá-los para outros amigos, e sempre tive muito ranço de aplicativo de paquera. Sempre achei que o melhor jeito de conhecer qualquer pessoa, seja qual fosse a finalidade, era através dos amigos. Eles são os nossos melhores curadores”, explica.

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Ing Lee/Ilustração

Essa é a premissa principal do Love is in the Cloud, experiência virtual de speed dating – encontros às cegas de cinco minutos – que acontece totalmente virtual, no aplicativo de videochamadas Zoom. Funciona assim: a partir da indicação de um amigo ou uma amiga, você é convidado para participar desses encontros, que acontecem toda quinta (se você for LGBT) ou sexta-feira (se você for hétero) à noite. Isabella e sua sócia, Roberta Tannus, enviam uma primeira mensagem recomendando que você se prepare para o rolê escolhendo um cantinho confortável na sua casa, preparando um drink ou tomando um vinho para “destravar” a timidez e escolhendo objetos que te representem para compor a cenografia que vai aparecer na câmera. 

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Ing Lee/Ilustração

“Participei de um encontro profissional pelo Zoom e, dado momento, falaram que iam nos direcionar para salas privadas para que a gente discutisse o tema da reunião, era bem corporativo. Eu não conhecia aquelas pessoas, e na hora que falaram isso, me veio um frio na barriga. Foi aí que eu percebi: esse momento que antecede a entrada na sala com desconhecidos me deu o estalo do Love is in the Cloud. Queria proporcionar esse frio na barriga do risco, de não saber o que vem depois. Falei para a Roberta que tive essa ideia, ela já trabalhava comigo e, desde então, ela é a ‘teletransportadora oficial’ do projeto”, conta Isabella. Explicando: montado o cenário ideal para sua sequência de dates, você entra no Zoom na hora combinada e se depara com vários quadradinhos pretos – todos os participantes, inclusive você, estarão com câmera e microfone desligados. A trilha é daquelas românticas-cafonas-clichês-necessários-apaixonados, com direito a Love is in the air, para arrancar risadas e descontrair o clima. Isabella e Roberta falam um pouco sobre a dinâmica e começam os “teletransportes”: durante pouco mais de uma hora, elas vão pareando as pessoas entre si, em encontros de cinco minutos – com câmera e microfone liberados, claro 😉

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Ing Lee/Ilustração

Eterno enquanto dure

Os encontros às cegas duram cinco minutos cada um e as organizadoras do Love is in the Cloud afirmam: você precisa de, no máximo, três minutos para responder se aquela pessoa te encantou ou não. E, para dar um pontapé para que o papo não fique na mesmice de “o que você faz, quantos anos você tem, de onde você é”, Isabella e Roberta sugerem perguntas nada óbvias e até um pouco mais profundas – “o que eu, ou alguém, precisaria fazer pra você se sentir amado de verdade?”, “qual foi a coisa mais bonita que alguém já te disse sobre você? E qual foi a coisa mais bonita que você já falou pra alguém?” e “se você fosse me dar um presente, só de me olhar assim, o que você me daria?” são algumas das provocações iniciais

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Ing Lee/Ilustração

Cada vez que um date termina, todos voltam para a “sala principal”, com câmeras e microfones desligados, para dar uma respirada, fazer anotações sobre o papo que acabou de rolar e se preparar para o próximo. Terminada a sequência (que, em geral, fica entre 8 e 10 encontros), Isabella e Roberta pedem que cada um escolha quem mais se identificou para, depois de cruzar os dados, ver se rolou um “supermatch”. Se sim – ou seja, a pessoa que você escolheu também te escolher –, ambos recebem os telefones um do outro para continuar o papo no WhatsApp (ou no FaceTime, ou no telefone, ou como acharem melhor). Caso contrário, todos os participantes da edição recebem a lista de arrobas do Instagram dos participantes e, caso queiram, podem fazer mais uma investida via inbox. Para terminar a experiência, rola uma festa, dessa vez com câmeras ligadas, chat aberto e DJ, para descontrair e permitir que os participantes continuem interagindo. 

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Ing Lee/Ilustração

Manas, manos, minas, monas

A ideia de trabalhar apenas com indicações foi a maneira que Isabella e Roberta encontraram de garantir uma curadoria para a experiência e aumentar as chances de que os participantes saíssem da experiência satisfeitos. No entanto, assim como toda curadoria, é pelo filtro delas e de seus amigos – e de amigos de amigos – que essas pessoas são escolhidas. Isso nos leva a pensar: será, então, que o Love is in the Cloud realmente fura a bolha na hora de te apresentar a pessoas novas?

“É sobre trabalhar a confiança, então quem participa indica mais duas pessoas e elas estão automaticamente dentro, caso queiram, é claro. A única coisa que pedimos é o preenchimento de um formulário para tentar checar se a pessoa não vai ser desagradável ou desrespeitosa. Essa dinâmica, no entanto, faz com que o projeto se espalhe muito rápido. O crescimento também nos faz pensar em abrir uma vaga por encontro para pessoas inscritas, que não tenham sido indicadas. A gente quer continuar assim pra manter um ambiente seguro”, explica Isabella.

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O Love is in the Cloud começou apenas com uma versão para pessoas heterossexuais, mas, há quase um mês, as versões LGBT também acontecem semanalmente, às quintas-feiras. E, é claro, algumas coisas precisaram ser adaptadas. “Foi um desafio maior do que a gente tinha imaginado. Nas versões LGBT, têm encontro entre todas as pessoas. Por isso, optamos por aumentar para 10 homens e 10 mulheres, que têm dates entre si dentro do mesmo gênero. Consultamos até um engenheiro pra fazer essa análise combinatória”, explica Roberta, que é head de operações do projeto.

Outra diferença que surgiu foi a mudança no “clima” das perguntas, que ganharam toques apimentados visto que, na percepção das organizadoras, o público LGBT se mostrou mais solto e disposto a entrar em temas picantes. “Até agora, sentimos que a natureza dos homens gays é muito mais engajada no processo, então entendemos que era preciso mexer no ritmo. Até as músicas, que a gente sempre seguiu na linha ‘amor brega’, também trocamos para algo um pouco mais sensual”, ela explica. 

Para responder sobre a real diversidade que você pode encontrar no Love is in the Cloud, ouvimos quatro participantes – dois da versão hétero, dois da versão LGBT. Os depoimentos na íntegra você confere aqui embaixo. Mas, correndo o risco de dar um spoiler (e uma dica), aí vai: se você está solteiro ou solteira nessa quarentena e gostaria de conhecer alguém novo, essa pode ser um bom caminho para se surpreender.

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Ing Lee/Ilustração

JP Vasconcellos, 29 anos, chef de cozinha

No dia em que participei, fui bem relaxado e tranquilo, fumei um baseadinho, tomei um drink. Tinha uma mina muito gata, com quem ainda estou falando, mas não encontrei por causa da quarentena, né? Achei bem bacana, foi uma coisa que me surpreendeu: achava que não ia ser tão legal. Eu nunca tinha feito um encontro às cegas e, cara, achei engraçada a experiência. Foi um pouco cansativa, se fosse na vida real acho que eu ficaria exausto. Mas eu gostei muito, porque sempre usei aplicativos de paquera e ter essa curadoria foi demais. Por mais que a pessoa não me apetecesse, eu consegui ter um mínimo de diálogo com todas as pessoas que eu conversei. Esse lance da indicação funcionou bastante para mim. Isso garante que não tenha um assediador, um babaca ou um bolsominion. Estamos vivendo essa pandemia de coronavírus, mas isso não significa que a gente não possa flertar, né? Achei um puta programa para quem está sem nada para fazer, ocupei minha cabeça e conheci pessoas bem interessantes. No geral, todos os papos foram bem legais. Se eu não tive interesse no fim do date, pelo consegui trocar uma ideia. As meninas como mestre de cerimônias também são fundamentais, porque quebraram um pouco esse paradigma de você ficar com vergonha por estar lá. A indicação também tira um pouco do preconceito que as pessoas têm de encontros às cegas, a vergonha do aplicativo que a gente vê que existe por aí. Além de ser meio que o único jeito que a gente tem de conhecer pessoas novas agora, né? Participaria de novo com certeza e indicaria para vários amigos meus. 

“No dia em que participei, fui bem relaxado e tranquilo, fumei um baseadinho, tomei um drink. Tinha uma mina muito gata, com quem ainda estou falando, mas não encontrei por causa da quarentena, né?”

JP Vasconcelos, chef de cozinha
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Ing Lee/Ilustração

Duda Negretti, 32 anos, arquiteta

Eu participei da primeira edição, foi meio no susto. Vi que a Isabella postou no Instagram dela e, como somos amigas e sou muito fã das experiências que ela cria, topei e não falei mais com ela. No dia, recebi um link com o horário que era para eu entrar, e eu fui, porque confio nela. Peguei meu drink, como manda o protocolo, montei um cenário legal em casa. Quando entrei, vi que tinha um monte de gente totalmente perdida – assim como eu –, mas todo mundo com expectativa boa. Não sou adepta de aplicativos de relacionamento, nunca participei de nenhum, mas fui muito aberta e sem parâmetro de comparação – meu negócio sempre foi o olho no olho, o contato físico.

Foi muito interessante, porque durante a explicação, em que as meninas disseram que quem estava ali eram amigos de amigos ou amigos delas mesmo, isso tornou a experiência ainda mais especial. Como elas dizem, as pessoas mais interessantes que a gente conhece normalmente são amigos de amigos, que têm objetivos e visões em comum.

“Por mais que a gente precise só de alguns segundos pra saber se existe compatibilidade, o que vem depois disso também é muito importante. O jeito que a pessoa se mexe, os trejeitos, o cheiro – tudo isso contribui para continuar”

Duda Negretti, arquiteta

A experiência durou quase duas horas e foi incrível. Durante o processo todo, vai dando uma ansiedade muito gostosa, aquele frio na barriga de quando você tá chegando numa festa, que você não sabe quem vai encontrar. A partir do momento que estávamos todos numa mesma sala, com microfone e câmera desligada, foi como estivesse do lado de fora da festa. Na hora que elas colocam a gente na sala privativa, é como se a gente tivesse entrado.

Continuei falando com dois boys depois da experiência, caras super legais que eu realmente gostaria de sair, mas que acabou não vingando muito porque eu ainda acho que o olho no olho faz toda diferença. Por mais que a gente precise só de alguns segundos pra saber se existe compatibilidade, o que vem depois disso também é muito importante. O jeito que a pessoa se mexe, os trejeitos, o cheiro – tudo isso contribui para continuar. No virtual, fica muito difícil se você não conhece esse pouquinho da pessoa. Eu falei com esses meninos durante umas duas semanas, mas acabou que a conversa esfriou. Se a gente estivesse em tempos normais, tenho certeza que teríamos marcado um encontro pessoalmente e pode ser que tivesse dado alguma coisa. Sou muito fã do projeto, já participei duas vezes e sempre me coloco à disposição delas para participar de novo. Todo mundo chega sem saber o que esperar, quem vai encontrar, e no fim das contas sai todo mundo muito empolgado e animado. A gente tá vivendo um período muito delicado, sem contato físico, sem poder sentar em volta de uma mesa pra trocar ideia. Acaba que o Love is in the Cloud vira essa mesa de bar.

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Ing Lee/Ilustração

Luísa Marchiori, 29 anos, gerente de marketing

Quando me convidaram para participar, achei muito legal, mas fiquei receosa de ter 9 ou 10 dates numa mesma noite, achei que não ia dar certo. Minha expectativa era bem baixa. Tentei participar de uma primeira versão hetero, mas acabei me enrolando e não entrei no Zoom. Na segunda vez, a Isa me chamou para participar da versão LGBT, e eu acabei topando porque né, estamos de quarentena, nada para fazer, bom conhecer gente nova [risos].

Entrei no Zoom sem saber o que esperar e foi incrível. O fato de você não saber muito o que vai rolar ajuda a ter uma surpresa positiva. Mas tem também um ponto legal que é: como você tem 5 minutos e tem que escolher uma pessoa no final, você não faz aquele joguinho que você normalmente faria, a análise é mais direta. Isso te dá oportunidade de avaliar aqueles sinais básicos que a gente normalmente ignora no primeiro date. Quando você entra numa sala privada, você não sabe quem vai estar lá e pode ser alguém que você não escolhesse se tivesse visto antes. Tem gente de todos os estilos: branco, negro, asiático, alto, magro, baixo, gordo… Pessoas que às vezes fogem do padrão que você normalmente busca.

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Ing Lee/Ilustração

Não existia um padrão estético. Meninas sem cabelo, com cabelo bem longo, meninas que gostam de se depilar, meninas que não se depilam. Mas acho que existe uma questão de padrão no seguinte sentido: todos compartilham de uma visão mais aberta de mundo, uma disponibilidade emocional maior.

Quando a gente indica amigos, fazemos essa seleção com base em alguns valores, né? Outra coisa bacana é a sugestão de pergunta, que não é superficial, mas é descontraída. Uma das que saiu para mim era: “o que outra pessoa precisa fazer para você ficar genuinamente feliz e se sentir amado?”. Eu respondi que, se você não estiver aberto a ser amado, não adianta a outra pessoa fazer nada. Ela adorou a resposta e disse que, para ela, a pessoa tem que fazer terapia [risos]. Não é o tipo de papo que rola num primeiro date, sabe? Eu não sei o que ela faz da vida, não sei onde ela mora ou quantos anos ela tem, mas sei que ela está numa jornada de autoconhecimento. As meninas mencionaram no dia que você precisa de 3 minutos para decidir ficar com alguém, e eu conheci uma menina nesse dia e o santo bateu quase que instantaneamente. A gente precisava falar do que temos em comum, e caímos na risada – riso frouxo foi a primeira coisa. Acabamos caindo uma com a outra de novo porque faltaram duas meninas na nossa edição e, na rodada vale-tudo, eu caí com ela de novo! E aí foi um papo cada vez mais gostoso. Eu achei ela linda – não só fisicamente, mas querida, sabe?

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“As meninas mencionaram no dia que você precisa de 3 minutos para decidir ficar com alguém, e eu conheci uma menina nesse dia e o santo bateu quase que instantaneamente. A gente precisava falar do que temos em comum, e caímos na risada – riso frouxo foi a primeira coisa”

Luísa Marchiori, gerente de marketing

No fim, você recebe o Instagram de todo mundo, mas tem que escolher uma pessoa pra continuar conversando. E rolou o supermatch entre a gente – ou seja, ela também me escolheu. Estamos conversando faz umas três semanas. Ela está em Salvador e eu em Santiago, no Chile. É uma pessoa que eu jamais conheceria, não só geograficamente falando, mas porque ela é advogada e eu sou do marketing. Não existe nenhuma previsão de a gente se ver, mas é uma delícia. É um papo que já começa com uma intimidade que você normalmente não teria. O fato de ser só indicação, amigos de amigos e afins, acaba deixando um espaço de pessoas que estão na mesma vibe. Pessoas que, apesar de ser bastante diferentes entre si, têm respeito, topam a proposta de espalhar amor, acho que rola uma cultura de paz.

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Ing Lee/Ilustração

Rodrigo Guima, 38 anos, artista

Quando recebi o convite para participar do Love is in the Cloud, fiquei muito afim de participar, mas também fiquei um pouco receoso, porque acho que a quarentena me trouxe um encontro com a solitude muito bonito. Estou num processo de estar comigo, menos aberto a encontros afetivos-sexuais. Nunca tinha feito speed date, mas já tinha experiência em aplicativos de encontro, ou dates que derivaram de Instagram. Minha preparação foi engraçada, porque eu montei um espaço para que a coisa acontecesse, uma luz bonita, escolhi coisas que eu gostava para mostrar. Tentei ficar relaxado, peguei um vinho para tomar e não sabia o que esperar, se ia encontrar conhecidos ou desconhecidos. A entrada na sala é muito bacana, porque é divertida, a trilha é muito fofa e engraçada, clichezona de um jeito bom. A dinâmica de apresentação das pessoas é muito interessante, é tudo como um game e é um game muito convidativo. Os meus encontros aconteceram logo antes do Dia dos Namorados, então tava todo mundo ali, solteiro, meio na mesma vibe de querer encontrar alguém.

As conversas foram muito divertidas. Num primeiro momento, você acha que 5 minutos é muito tempo, mas à medida que você vai tendo os dates, percebe que é um tempo curto, você acaba se envolvendo com o tempo de uma outra forma. Esse recorte de ter sempre uma proposição do que vamos conversar, a pergunta inicial, é ótimo. Não depender do que você quer falar ou do que o outro quer falar. Isso dá um tom bacana, você acaba extraindo um pouco do universo do outro sobre uma questão que, para você, pode ser completamente diferente. Tive diálogos mais sexuais, tive outros em que eu só ri o tempo todo. Tive uma conversa muito linda em que um boy tocou uma harpa de cristal pra mim. Eu não queria nem mais conversar depois disso. [risos]

“Tive diálogos mais sexuais, tive outros em que eu só ri o tempo todo. Tive uma conversa muito linda em que um boy tocou uma harpa de cristal pra mim”

Rodrigo Guima, artista

Essa história de não conhecer as pessoas na vida real tem um lance de curadoria e combinação que as meninas fazem como se fosse um trainee de cupido muito bom. Elas fazem um cruzamento interessante de entender quem são as pessoas diferentes para estarem ali. Acho que todo mundo pertence minimamente a uma bolha, mas existe uma diversidade, perfis de pessoas que estão vivendo a vida de jeitos diferentes, com posicionamentos diferentes. Isso faz com que a gente rompa nossa própria bolha de convívio, ou de padrões normativos e estéticos que a gente acaba seguindo nos aplicativos por causa das fotos. Não saber qual é a cara de quem você vai encontrar muda muito a dinâmica.

Como o projeto está começando, acho que funciona muito bem essa coisa de indicação de amigos, acho que dá para entender o potencial que ele tem. Eu já vislumbro isso de um jeito mais aberto, para as pessoas se inscreverem, com esse desafio constante de manter uma curadoria e uma diversidade, de ser pra manos, manas, minas, monas, para que as pessoas possam romper com esse algoritmo intrínseco interno que já existe na gente. A gente acaba buscando coisas que a gente acha que a gente deseja, mas que está sendo colocado e imposto como desejo de consumo pra gente. Isso tudo traz à tona um abraçar a vulnerabilidade, sabe? Você não tem muitas papas na língua para falar, não conhece aquela pessoa e talvez nunca mais encontre ela.

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Ing Lee/Ilustração
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