evolução

Especial Manaus: visão do paraíso

Nem tão distantes dos povos brancos, os índios também começam a ser afetados por nossas doenças

por Caio Guatelli Atualizado em 18 set 2020, 13h53 - Publicado em 28 ago 2020 02h26
A

aldeia Yukuro é a casa de quase 40 índios da etnia Tuyuka. A população Tuyuka se espalha por parte do território brasileiro, principalmente no estado do Amazonas, além de parte do território colombiano. Localizada à beira do rio Amazonas, a Yukuro é distante do porto de Manaus uma hora em voadeira, como se chamam as pequenas lanchas locais, do Porto de Manaus.

Essa é a quarta parte do nosso especial sobre a pandemia do coronavírus em Manaus. A primeira, sobre um funeral realizado em casa contra todas as normas de segurança devido à pandemia do coronavírus, você confere aqui.

Leia também a segunda reportagem da nossa série, sobre a precariedade em infraestrutura que boa parte da capital amazonense sofre.

Na terceira parte, mostramos a rotina e os improvisos dos médicos e profissionais de saúde para conter uma crise que só aumentou com o passar dos dias. Leia aqui.

Por fim, você confere a quarta parte, mostrando o drama dos cemitérios e dos enterros sem familiares nem funerais, clicando aqui.

Continua após a publicidade
-
Caio Guatelli/Fotografia

Pelo fácil acesso, a Yukuro há anos recebe a influência dos costumes ocidentais.

De tão habituados a receber curiosos, os índios dessa aldeia já não produzem mais para sua subsistência. Grande parte de seus ornamentos e utensílios são destinados à exposição e à venda para os visitantes da cidade que ali desembarcam. Não há nenhum projeto de turismo sustentável ou de valorização da cultural local que possa ser compartilhada com quem chega de fora.

-
Caio Guatelli/Fotografia

No entanto, com a proibição de navegação e comércio no Amazonas, a aldeia Yukuro também foi afetada e deixou de ter contato com forasteiros. Contudo, em junho, barqueiros voltaram a oferecer o serviço de “turismo” a aldeias próximas da capital amazonense.

-
Caio Guatelli/Fotografia

Em um domingo daquele mês, cerca de 40 turistas desembarcaram de três voadeiras em Yukuro. A grande maioria estava sem máscara ou qualquer tipo de proteção, relatou-me meu colega Alessandro Falco, fotógrafo italiano baseado na região.

-
Caio Guatelli/Fotografia

O grande temor é que o novo coronavírus comece a alcançar,

por vias fluviais, as comunidades menos protegidas da floresta — principalmente índios e ribeirinhos com pouco acesso ao sistema de saúde.

-
Caio Guatelli/Fotografia

Para uma nação que ouve de seu presidente ordens para invadir hospitais, fazer turismo em terra indígena chega a ser brincadeira.

-
Caio Guatelli/Fotografia

Fiz estas fotos no dia 11 de junho de 2020, utilizando todos os equipamentos de proteção para a preservação dos índios, com a finalidade de fazer um relato sobre como a população indígena encontra-se vulnerável ao vírus.

Continua após a publicidade
Tags Relacionadas
mais de
evolução

Para o alto e avante, Aretha!

Por
Em Campinas, no interior paulista, uma catadora de lixo está prestes a realizar o sonho de escalar o Monte Everest
janelas-elatica-final

Por uma internet mais legal

Por
Em meio à ansiedade generalizada e os gatilhos que temos on-line, tornar o ambiente digital mais saudável, gostoso e criativo parece ser o desafio da vez
Excalibur02

Para todos os mutantes

Por
Renovados para os tempos que vivemos, os X-Men traduzem as angústias cotidianas de viver em uma sociedade cada vez mais extremista
desistir01

Desistir: a hora e a vez

Por
Pode soar como atitude irracional, mas, muitas vezes, deixar de lado toda a construção de uma vida é a melhor chave para se reinventar
bruno-capão-02

Ser um homem negro no Brasil

Por
Convidamos cinco caras que se propõem a repensar suas masculinidades para um ensaio exclusivo