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Para o alto e avante, Aretha!

Em Campinas, no interior paulista, uma catadora de lixo está prestes a realizar o sonho de escalar o Monte Everest

por Rodrigo Grilo Atualizado em 27 nov 2020, 17h04 - Publicado em 26 nov 2020 02h13
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Clube Lambada/Ilustração

onheça Aretha Duarte, 36 anos, filha de pernambucanos. Seu pai, Ailton, já falecido, era ferreiro-armador. Sua mãe, Euleide, foi faxineira e vive com a filha. Aretha mora em uma quebrada – junto também do irmão do meio, Stenio –, numa rua que, na real, é uma viela com 28 casas por onde passa um carro por vez, no Jardim Capivari, em Campinas, interior paulista. Primeira da família a passar no vestibular e concluir o Ensino Superior, Aretha, desde a infância, recolhe e vende material reciclável – chegou a comprar um fogão para a mãe com o que arrecadou com a prática. Quando criança, também ajudava na renda familiar negociando chocolate e pastilha de hortelã na escola, o que começou a fazer com 10 anos de idade.

Em 2004, em uma palestra na faculdade – ela é graduada em Educação Física, na PUC-Campinas, possui especialização em fisiologia, bioquímica, nutrição e treinamento esportivo –, Aretha descobriu o montanhismo e ficou de cara. Três anos mais tarde, já trabalhava em uma empresa, a Grade6, especializada em expedições em alta montanha e cursos de escalada. Evoluiu, tornou-se guia de expedição e nessa condição, desde 2012, uma ou duas vezes por ano embrenha-se em alguma alta montanha. Em março passado, porém, ela tomou uma decisão: escalar o Monte Everest, a montanha mais alta do mundo, localizado na Cordilheira do Himalaia, entre o Tibete e o Nepal, em 2021. O custo da aventura para subir seus 8.848 metros? 70 mil dólares, em uma situação econômica brasileira em que a cada dia que passa o valor da moeda americana aumenta mais.

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Rosita Belinky/Divulgação

Desde então, recolher o lixo na rua e vende-lo para juntar o dinheiro necessário é sua rotina de segunda a sábado. Fazem parte do Projeto Aretha no Everest, configurado com a ajuda de seu patrão, o montanhista Carlos Santalena – ele fora o sul-americano mais jovem a escalar as 7 maiores montanhas do mundo, quando estava com 27 anos –, treinamento físico e psicológico cinco dias por semana, que incluem pedalada, corrida, terapia, exercícios de manutenção de flexibilidade, força, postura, equilíbrio e cardiorrespiratórios. “Acordo às 6h, tomo café e saio de casa para recolher as doações de lixo, sucata, já separados pra mim. Estoco em casa o material e, entre 8h e 9h, vou para o escritório trabalhar”, conta Aretha, que tem trabalhado meio período para focar, também, na sua preparação física e mental. “Ao sair do escritório, volto para a rua e cumpro outra rodada de retirada de lixo.”


“Acordo às 6h, tomo café e saio de casa para recolher as doações de lixo, sucata, já separados pra mim. Estoco em casa o material e, entre 8h e 9h, vou para o escritório trabalhar”

Aretha já recolheu 19 mil quilos de resíduos e arrecadou até o momento 20% do custo total da expedição. Vendeu camisetas sustentáveis confeccionadas a partir de material reciclável, lançou mão de bazares de móveis, roupas usadas e eletrodomésticos. Mais: montou na sua quebrada uma biblioteca comunitária com os livros em bom estado que chegaram até ela por meio de doação. Conta ainda com financiamento coletivo e aguarda a resposta de um possível patrocínio de uma empresa. No frigir dos ovos, entram em seu caixa entre R$ 500 e R$ 700 toda semana. Ainda que conquiste o Everest e se torne a primeira brasileira negra – no mundo, apenas três negros realizaram tal feito – a pisar no topo daquela montanha, Aretha não pensa em encerrar sua rotina de trabalho com o reciclável. “Entendo que é uma forma de reverter para o ambiente não apenas um resultado, mas também uma possibilidade de gerar retorno financeiro e social”, diz. “A prova é o que vem acontecendo no meu bairro.” Abaixo, você confere uma reportagem em vídeo que fizemos com ela, e também uma entrevista com a montanhista.

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Vinicius Popoh/Divulgação

Como o montanhismo entrou na sua vida?
Todo montanhista inicia no segmento, geralmente, como uma forma de lazer. E vai se desenvolvendo e cresce a partir da prática e do estudo realizado de forma autônoma, independente. Em 2004, em uma palestra na faculdade, descobri o montanhismo. Fiquei entusiasmada com a possibilidade de trabalhar com um esporte outdoor. Três anos depois, comecei a trabalhar na Grade6 (empresa operadora de montanhismo), na área de treinamento corporativo. Em 2011, depois de fazer cursos de escalada e técnicas verticais, fiz a primeira expedição comercial ao Everest, como guia de expedição. Depois de me tornar funcionária fixa da empresa, foi na prática do trabalho que cresci no montanhismo. Em 2012, na minha primeira vez em alta montanha, fui para o campo base do Aconcágua, na Argentina, a 4300 metros. Desde então, vou a expedições em alta montanha uma ou duas vezes por ano e já estive em sete delas.

O que espera encontrar no topo do Monte Everest?
Tenho muita dificuldade de descrever o que estou buscando no topo do Everest. No íntimo, será uma escola estar lá. Sempre retorno de alguma montanha com algum aprendizado, progresso. Mas o meu sonho é o Vale do Silêncio, um trecho do Monte Everest que fica, especificamente, entre 6100 e 6400 metros de altitude. Trata-se de um longo vale comprido e largo entre grandes montanhas, coberto por neve e com visão para o horizonte distante. Um belíssimo cenário, cuja pequenice da gente é revelada diante da imponência da natureza; uma paisagem e um contexto surreais. Serei uma pessoa privilegiada, quando lá estiver. No Everest, irei buscar algo diferente do que vivi até aqui, talvez em termos espirituais, emocionais, não sei. Mas, certamente, muito além de experiência física. E certeza de que isso irá acontecer.

Como tem lidado com a possibilidade de morte nessa empreitada?
Foi recentemente que desejei escalar o Everest. Primeiramente, eu associava a escalada ali a uma busca de status e isso não era legal. Portanto, eu tinha um preconceito em relação a quem ia para lá. E, claro, também associava ao alto risco de morte. Sou apaixonada pela minha vida, que é maravilhosa, repleta de amigos. Não gostaria de perder isso. Mas, em dezembro, quando vi uma foto do Carlos Santalena no Vale do Silêncio, algo dentro de mim mudou. A minha compreensão espiritual também sofreu alterações de um tempo para cá e passei a ter um maior conhecimento do qual não desfrutava antes. No campo espiritual, há algo muito além da presença física, posterior à morte. Até o momento da minha morte, que pode ocorrer sabe-se lá onde, tenho de viver o que está no meu coração, independentemente dos riscos. Se eu morrer no Everest, irei consciente. Eu quem escolhi e nada me limitou. Isso deixo claro para a minha família. Para que ela saiba que eu vivi o melhor que gostaria e não tenha medo, ou dúvida, que parti feliz naquilo que propus para mim.

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Rosita Belinky/Divulgação

Certo. Mas qual seria o seu limite para interromper, talvez, a escalada?
Não arriscar a vida. Caso eu entenda que em algum momento a minha condição física e fisiológica não me permite seguir em frente, paro. Mas, também, pode ocorrer de eu perder a consciência e seguir em frente respondendo inconscientemente, fora do meu limite saudável, seguro. Aí, eu dependo de alguém da expedição identificar essa minha condição e avisar que eu me encontro nesse estágio, para que, enfim, pare e retorne. Se eu souber que estou fora do limite, irei descer, retornar. Espero não seguir em frente e arriscar a mina vida. Não quero chegar lá a qualquer custo.

Qual a manifestação física acredita que irá experimentar, no topo?
Toda vez em que estive em alguma montanha, lembro de me arrepiar, sentir uma descarga energética surreal e do sentimento de gratidão. Ali, lembrarei do quão batalhadora eu sou. Certamente, virá a imagem da minha mãe, minha família, à cabeça. Porque ela e outras pessoas não estarão vivenciando aquela experiência surreal, incrível.


“Foi recentemente que desejei escalar o Everest. Primeiramente, eu associava a escalada ali a uma busca de status e isso não era legal. Portanto, eu tinha um preconceito em relação a quem ia para lá. E, claro, também associava ao alto risco de morte. Sou apaixonada pela minha vida, que é maravilhosa, repleta de amigos. Não gostaria de perder isso”

Fale mais da sua família. Qual a origem dela?
Meus pais nasceram em Pernambuco. Meu pai é de Olinda e a minha mãe, de Paulista. E vieram para São Paulo, há 40 anos. O meu pai trabalhava em obras, como ferreiro-armador. A minha mãe foi faxineira e, mais tarde, trabalhou em cozinha industrial. Em São Paulo, eles se estabeleceram no Jardim Capivari, um aglomerado de terras que foram invadidas e, mais para frente, foi regulamentado pela prefeitura, que cedeu terrenos aos moradores. O meu pai também foi funcionário público e seguiu como ferreiro armador até se aposentar. Há 13 anos, ele teve aneurisma cerebral e, na sequência, um derrame, e morreu. Eu estava com 22 anos, no segundo ano da faculdade. Sou a caçula de três filhos.

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Arquivo/Divulgação

Como seguraram as pontas após essa perda?
A minha família tem um porto seguro bem forte: a minha mãe. O meu pai foi alcoólatra, bebia na rua e chegava em casa e dormia. Não sofremos com agressões físicas, psicológicas ou passamos por dificuldades financeira por causa desse comportamento dele. Mas sentíamos uma certa ausência do pai. Com a partida dele, a minha mãe assumiu outros papéis. Carinho, orientação, afeto, disciplina, força nunca faltaram. Aumentou a responsabilidade da dela, a minha e dos meus irmãos também. Eu quem assumi a bronca de cuidar do velório do meu pai e de toda a burocracia, por exemplo. A minha mãe, uma pessoa entusiasmada e que faz acontecer, nunca superou a morte do meu pai. A alegria e espontaneidade dela de antigamente nunca mais foi a mesma. A mulher que existia antes da morte do meu pai não existe mais, diferentemente da gente, os filhos.

Como é a vida na periferia?
Eu sou o tipo de pessoa que quando aparece a responsabilidade, oportunidade, eu costumo vivenciá-la. Eu não passei fome, na infância. Também não tive a chance de fazer viagens, ter roupas de marca. A possibilidade de desfrutar de bens materiais eu ainda não vivencio, hoje. Mas sempre tive o que era necessário. A minha infância foi maravilhosa. Meus pais deixavam de comer, para que a gente se alimentasse. Pude brincar e desfrutei de uma vida social agradável entre amigos. E sempre fui muito autoconfiante, segura. Procurava sempre ser uma das melhores alunas da escola, tinha bom desempenho durante a prática esportiva e chegava a competir com os meninos. Era líder. Qualquer tarefa que me era passada eu tinha capacidade de entregar resultado. Era muito decidida. Creio que posterguei a infância até os 20 anos. Quando amigos de 13, 14 anos buscavam festas, eu preferia brincar sem, porém, desfocar das responsabilidades todas.

Teve de ajudar, financeiramente falando, dentro de casa muito cedo?
Eu me tornei empreendedora aos 10 anos. Levava para a escola um saquinho de chocolate Baton e pastilha de hortelã para serem vendidos ali. Depois, aprendi a fazer e vender bijuteria. Aí, quando eu queria comprar algo para a casa, como lava-roupa ou ventilador, eu dava um jeito, arranjava algum trabalho para fazer a coisa acontecer. Eu nunca achei que alguém deveria me dar as coisas. Pelo contrário, sempre tinha certo de que o trabalho era a saída, que eu deveria bolar algo criativo para que o dinheiro chegasse até nós. Assim entendia como deveria ser a minha infância e adolescência. E a minha mãe, apesar de trabalhar na cozinha, buscava complementar a renda vendendo pastel, cachorro quente e salgadinho.

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Jeniffer Amaral/Divulgação

A ralação, porém, valoriza a conquista…
Sim. Eu fui a primeira pessoa da família a ingressar no Ensino Superior. E tenho certeza de que outros parentes não conseguiram o mesmo porque não sabiam que havia essa possibilidade. Comigo a coisa só vingou porque a minha mãe ouviu a patroa dela falando da filha, nutricionista, que fazia curso técnico em nutrição. Foi aí que ela percebeu que eu poderia trilhar esse mesmo caminho. Uma escuta da minha mãe foi, então, o incentivo que me fez tentar o Ensino Médio técnico. Não consegui passar no vestibular de escolas públicas, mas encontrei uma particular e ingressei no curso de Processamento de Dados sem mesmo eu ter um computador ou teclado. A gente ouvia dizer que era uma profissão interessante e poderia facilitar a entrada no mercado de trabalho. Fora que tinha a ver com lógica. E eu sempre gostei de matemática. O primeiro ano foi bem difícil. Eu não conseguia acompanhar o ensino. Como gosto de dar o melhor em tudo que faço, fui prestar Educação Física na PUC de Campinas, onde ingressei e me formei. Eu tinha certeza de que as pessoas onde eu moro, inclusive os meus irmãos, não estavam vivenciando aquilo. Eu sinto muito amor pelo lugar de onde eu vim e saí. E não tenho vontade de sair de lá.

Como os familiares reagiram quando você revelou o desejo de escalar o Monte Everest, a montanha mais alta do mundo?
Apesar de não saber o que está por trás do muro, a minha mãe sempre quer ir lá transpor para ver. Subjugá-la é o impulso que a faz seguir em frente. E isso foi imputado em nós, os filhos. Bom, a minha mãe não sabe o que é o esporte que pratico no detalhe do detalhe. Mas sente, sim, orgulho que eu o pratique. E a vejo contar para um monte de gente. Quando contei sobre a escalada do Everest, a minha mãe entendeu como algo grandioso, um grande sonho, uma conquista pessoal para mim. Depois de eu ponderar a questão financeira, ela perguntou quanto iria custar. “R$ 250 mil e será realizado em abril de 2021”, respondi. E aí a minha mãe disse: “Não tem importância, Aretha, a gente vai dar um jeito de conseguir o dinheiro”. Falou de bate-pronto e nem se preocupou com os riscos! Expliquei o mesmo ao meu irmão do meio, o Stenio, que mora com a gente e, na contramão, ele disse: “A gente não irá conseguir, é muito dinheiro”. Eu falei que, apesar da opinião dele, iria seguir em frente. Com o tempo, ele percebeu que a reciclagem dava retorno financeiro e, hoje, veja só!, é uma das pessoas mais engajadas no projeto Aretha no Everest. Enquanto estou em um ponto fazendo uma retirada de lixo, meu irmão está em outro, não tem preguiça. Então, a minha família, hoje, eu, a minha mãe, o meu irmão do meio e o mais velho, que mora perto, estamos engajados. Até a minha avó, de 89 anos, faz o que pode, recebe material, fica meia hora retirando o plástico de fios para separar o cobre. Muita gente está engajada, acreditando que vai dar certo. Não é mais um projeto da Aretha, mas da minha família também.

Recolher lixo reciclável foi sua primeira opção para arrecadar o dinheiro necessário para ir ao Everest?
Em março, quando pensei no projeto, sim. Porque eu encontraria resíduos em qualquer lugar que fosse. E não achava que deveria pedir ajuda para alguém, não queria colocar a mão no bolso do outro. Com o tempo, outras ideias surgiram, já que o retorno financeiro com a reciclagem é muito baixo. Vendi, então, camisetas sustentáveis de material reciclado e passei a fazer bazar. Porque as pessoas doavam móveis, roupa usada, eletrodomésticos e os coloquei à venda. Também passei a receber livros para serem reciclados. Como muitos estavam em excelente estado, vendi alguns, num primeiro momento, em uma espécie de sebo virtual. Mais para frente, montei uma biblioteca comunitária. Hoje, então, já doei cerca de 1200 livros em bom estado, de diversos segmentos. Como os recebi gratuitamente, passei todos para frente do mesmo jeito, para que as pessoas leiam, emprestem, discutam e expandam o conhecimento. Recentemente, criamos uma vaquinha de financiamento coletivo via uma plataforma. Há, ainda, em andamento uma possibilidade de patrocínio para apresentar a empresas. O projeto Aretha no Everest precisa de US$ 70 mil. Somente a parte terrestre custa US$ 43 mil. Tenho, hoje, 20% do total. Mas tenho mais seis meses de arrecadação e uma crença, uma fé, que vai rolar. Todos os dias, sigo fazendo o que está ao meu alcance.

Quanto arrecada de lixo reciclável?
De R$ 500 a 700 por semana. Na infância, eu já vendia latinhas para ter uma renda. Mas não era uma ação pensando no meio ambiente. Com o tempo, percebi o alcance que essa ação pode impactar no ambiente e passei a entender o que é sustentabilidade. Pretendo seguir com a reciclagem mesmo se atingir o valor necessário para o projeto Aretha no Everest. Porque entendo que é uma forma de reverter para o ambiente não apenas um resultado, mas também uma possibilidade de gerar retorno financeiro e social. O meu bairro é pequeno, oriundo de uma invasão. Na minha rua, que é na real uma viela onde passa um carro por vez, há 28 casas. Falei com as famílias de cada uma delas e expliquei, primeiramente, o que é reciclagem. Depois, pensei que o discurso da preservação ambiental talvez não fosse suficiente para transformar a consciência das pessoas. Expliquei o que era material reciclável, lixo orgânico, a todos. E indiquei que passassem a juntar tudo até sexta-feira, quando deveriam levá-lo na minha casa, para que, no sábado de manhã, eu fosse ao ferro velho e vendesse o material para eles. E sugeri que o dinheiro arrecadado pelos moradores da rua fosse investido em mudas, flores, para serem plantadas no bairro. E é isso que vem a acontecendo. Com o passar do tempo, irá crescer o que ali foi plantado e as pessoas irão visualizar que a reciclagem gerou flores, dinheiro, retorno coletivo, enfim, é uma metáfora para o coletivo enxergar esse retorno.

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Vinicius Popoh/Divulgação

Você teve de suspender a construção de uma casa, para seguir com o seu projeto de escalada do Everest. Como lidou com isso?
Há cinco anos, estou construindo uma casa próxima do meu bairro para dar um conforto à minha mãe. Ela passou a vida a trabalhar e nunca focou no lazer. Sempre foi viciada em trabalho. Tem um desequilíbrio aí, portanto. A casa já está de pé, falta pintar e mobiliar. Mas quando optei pelo projeto Aretha no Everest, a construção teve de ser interrompida. E tive de abrir mão do mínimo de conforto que gostaria de entregar à minha mãe, que me falou: “Moramos aqui a vida inteira, estamos acostumados. Pega o dinheiro e investe no Everest”. Mas o projeto não significa apenas eu alcançar o topo e fazer a escalda. Enquanto carreira, ele me trará frutos maiores, financeiramente também. Assim, terei recursos para proporcionar um retorno melhor à minha família. Tô deixando de lado muito projeto, nesse momento, para lá na frente retomar tudo com maior potencial.

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Rosita Belinky/Divulgação

“Já doei cerca de 1200 livros em bom estado, de diversos segmentos. Como os recebi gratuitamente, passei todos para frente do mesmo jeito, para que as pessoas leiam, emprestem, discutam e expandam o conhecimento”

Como o que, por exemplo?
Um espaço físico, um prédio de escalda, para a comunidade onde vivo. Quero que chegue aqui tecnologia de robótica, um espaço para a arte, uma biblioteca e que profissionais venham palestrar aos jovens. Enfim, gostaria que o povo daqui tivesse recursos, outro caminho a percorrer e não precise recorrer às drogas, à violência. Enfim, boas oportunidades de escolha visando o futuro. Para isso, pretendo apresentar outros caminhos aos jovens por meio de vivência, experiência, para que desfrutem do poder da escolha. Todo mundo veio nesse mundão para vivenciar o máximo que existe nele. Eu não acredito que pessoas oriundas de lugares mais desenvolvidos, elitizados, sejam tão diferentes das nascidas na periferia. O que ocorre é que, sim, tiveram oportunidades diferentes. A gente somente expande o nosso conhecimento a partir do que nos é oferecido. É muito difícil que isso ocorra, porém, quando nem sabemos das oportunidades que existem. Se todo mundo estiver bem na vida e consciente de suas possibilidades, a sociedade será muito legal.

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