envolvimento

Aquele 1,5% é revolucionário

Esqueça o refrão-chiclete de sertanejo universitário, que o papo é outro. 1,5% dos eleitores das capitais votaram em candidaturas coletivas em 2020

por José Lázaro Jr., da Livre.jor Atualizado em 4 fev 2021, 10h55 - Publicado em 2 fev 2021 00h00
-
Clube Lambada/Ilustração

lgo inesperado aconteceu na política brasileira ano passado, que não pode passar despercebido. Naquele agora distante 15 de novembro de 2020, 295 mil brasileiros saíram de casa, em pleno domingo, nas capitais dos estados, enfrentando o risco à vida que é a pandemia do novo coronavírus, para votar nas 117 candidaturas coletivas para vereador que disputaram a eleição. Essas pessoas corajosas foram 1,5% do total de 20 milhões de votantes das capitais. Pouco? Acho que não. Quantas revoluções comportamentais não começaram com muito menos?

Só 7 das 117 candidaturas coletivas nas capitais venceram. Pretas por Salvador (BA), Mandata Nossa Cara (CE), Coletivo Nós (MA), Coletiva BH (MG), Quilombo Periférico (SP), Bancada Feminista (SP) e Coletiva Bem Viver (SC) tomaram posse no início deste 2021 e, daqui a pouco, em fevereiro, quando começam as sessões nas câmaras municipais, elas têm a responsabilidade de renovar a aliança firmada com aqueles eleitores, espalhados pelo Brasil, que rasgaram a receita da velha política.

Especial para a Elástica, fui atrás de uma razão para 1,5% dos votantes irem contra a tradição política do país, que rotineiramente elege homens brancos sozinhos, trocando-os por essa novidade, feita majoritariamente de mulheres pretas unidas. Eu não achei uma razão, é bom dizer logo. Nem gosto de escrever reportagens em primeira pessoa, mas o que vi me arrebatou e deu esperança. Depois de 2020 todo mundo precisa de esperança, certo?

Esse 1,5% é a evidência que tem um Brasil aí nas ruas que não é misógino, que é antirracista e, por princípio, rechaça o egoísmo. E está próximo da gente. Em cada grupo de 69 votantes das capitais, 1 era desse tipo de revolucionário dos costumes políticos. Último país do Ocidente a abolir a escravidão em 1888, que instituiu o divórcio apenas em 1977 e que só em 2015 fez do feminicídio um crime hediondo, talvez o Brasil se lembre de 2020, no futuro, como o ano em que a política mudou.

Continua após a publicidade

Pretas no topo

Não é à toa que a imprensa em geral tratou as candidaturas coletivas como alienígenas, pois elas parecem saídas de uma galáxia cujas regras desafiam o senso comum. Quando você encara as eleições no Brasil de frente, os números são implacáveis: em 2020, dois terços dos candidatos eram homens, a metade era de pessoas brancas. Na outra metade, de negros, apenas 10,5% eram candidatos da população preta, que mais precisa de justiça social, dado o persistente passado escravagista do país.

Mas as candidaturas coletivas viraram a mesa dessa estatística. Mirando um outro mundo possível, elas criaram uma Wakanda à parte. Querem conferir? Numa candidatura coletiva, a pessoa escolhida para ser a porta-voz responde juridicamente pelo mandato. É o rosto do grupo perante o mecanismo jurídico da velha política. E mais da metade das 117 chapas tinha mulheres nesta estratégica função de porta-vozes (53%), a raça predominante entre as porta-vozes era a preta (49%).

-
Kareen Sayuri/Redação

No Brasil, 6% dos eleitos em 2020 eram pessoas pretas; entre os porta-vozes das coletivas vencedoras nas capitais, foram 60%. No Brasil, 84% dos eleitos foram homens; nessas coletivas, 85% são mulheres. Os opostos são tão gritantes que faltam palavras para descrever essa “diferença” com objetividade. Há uma fenda oceânica, uma pujante fissura tectônica entre essas duas realidades.

Atordoado por esses números, passei a aceitá-los como uma revolução, apesar do estigma que a expressão atiça. Porque se as candidaturas coletivas revolucionam os costumes da política tradicional, o 1,5% que votou nelas é igualmente revolucionário. Quem são? Não se sabe, mas pelo voto tem-se uma ideia do que esses eleitores desejam.

Continua após a publicidade

Experiência com coisas reais

Enxergar uma mudança social dessas num número tão pequeno de votantes seria uma alucinação? Para Guilherme Russo, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), não se trata de fantasia. “É um resultado bem expressivo. Considerando que o número de candidaturas coletivas é bem pequeno, 1,5% me chama bastante a atenção. E se ‘abrirmos’ [os dados] por cidade, esse percentual será ainda maior em algumas capitais. Minha intuição é de que esse é ‘o começo’. Imagino que veremos mais candidaturas coletivas em 2024, ou mesmo 2022 em comparação a 2018”, comenta o cientista político.

Em São Paulo, as candidaturas coletivas conquistaram 3,3% dos votos válidos. Em Florianópolis, 2,4%; Porto Alegre, 2,2%; Recife, 1,8%, São Luís, 1,5% e aí em diante. Essas foram as capitais em que houve mais apoio popular à proposta de despersonalização do poder político nas câmaras municipais. Aliás, apenas Cuiabá e Teresina não tiveram chapas em que duas ou mais pessoas assumiram publicamente o compromisso de dividir o mandato parlamentar se fossem eleitas.

Houve capitais, como Manaus, que uma candidatura coletiva ficou entre as mais votadas da cidade, mas não foi eleita em razão do partido não ter apoio suficiente para conquistar uma cadeira no Legislativo. “Nós, da Bancada ColetivA, sabíamos que precisaríamos de no mínimo 18 mil votos. Conseguimos 10 mil enquanto PSOL Manaus. Estamos orgulhosas, pois essa foi a votação mais surpreendente e expressiva do partido até hoje em Manaus”, desabafou a porta-voz da chapa, após a apuração, Michelle Andrews, nas redes sociais.

-
Kareen Sayuri/Redação

“Política não se faz apenas com votos”, Andrews escreveu. E, no relato da candidata, mulher e preta, aparece um testemunho infelizmente comum em outras capitais do Brasil. “Durante a campanha fomos duramente atacadas com textos apócrifos, falando que votar em nosso projeto era ‘jogar seu voto no lixo’. Agora, após o resultado das urnas, a gente volta a ouvir pessoas falando isso”. A chapa encabeçada por ela era feita por cinco mulheres.

Continua após a publicidade

Amanhã vai ser maior

Todas as candidaturas coletivas eleitas são de partidos “de esquerda” e pode ser que isto lhe incomode, dada a beligerância política que tomou o país há dois anos, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente para “acabar com o comunismo”. Mas entre as 117 que concorreram tem DEM, Avante, Cidadania, Pros, Republicanos e Solidariedade – que estiveram no arco de apoios ao atual presidente da República.

O fato jornalístico aqui é que o número dessas chapas está aumentando. Na verdade, foi o mesmo Guilherme Russo quem deu o alerta, no dia 3 de novembro de 2020, ao publicar um artigo sobre “a explosão das candidaturas coletivas” no Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (Cepesp/FGV). Há quatro anos, apenas 16 chapas em todo o Brasil usaram, no nome da urna, palavras como “bancada”, “coletiva”, “coletivo”, “mandata” ou “mandato”. Nas eleições de 2020, na pesquisa dele, foram 257.

Doutoranda em Ciência Política na Universidade Federal de Minas Gerais, onde integra o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher, Bárbara Lopes Campos documentou o mesmo fenômeno. “As candidaturas coletivas começaram a ganhar destaque no cenário político brasileiro em 2016, quando já foi possível observar experiências de grupos atuando coletivamente no pleito eleitoral e assumindo publicamente o compromisso de compartilhar a condução política do mandato”, confirmou, para a Elástica.

“Durante a campanha fomos duramente atacadas com textos apócrifos, falando que votar em nosso projeto era ‘jogar seu voto no lixo’. Agora, após o resultado das urnas, a gente volta a ouvir pessoas falando isso”

Michelle Andrews

“Nas eleições de 2018 houve um fortalecimento dessas candidaturas, que agora, em 2020, se multiplicaram, chegando a pelo menos 250 candidaturas e 20 mandatos eleitos [em todo o Brasil, não só nas capitais]. Não só o registro de candidaturas [aumentou], mas também o seu sucesso eleitoral são indicadores de construções e práticas políticas que têm ganhado espaço”, apontou Bárbara Campos. Antes da “explosão” das candidaturas coletivas, as referências para quem descobria o tema eram a Mandata Ativista (SP), a Gabinetona (MG) e a Juntas (PE). Hoje, a ideia se espalhou.

Continua após a publicidade
-
Kareen Sayuri/Redação

Alô, alô marciano

Identificar esse OVNI voando baixo no céu fechado da política brasileira não foi tarefa fácil. Para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não importa se a candidatura é individual ou coletiva. Eles querem um rosto com CPF válido na urna eletrônica, então não há dados oficiais no Brasil sobre quem, naquelas 518 mil pessoas disputando cargos nas câmaras municipais em 2020, dava a cara para representar um coletivo.

“Em 2020, chegamos a pelo menos 250 candidaturas e 20 mandatos eleitos [em todo o Brasil]. Não só o registro de candidaturas [aumentou], mas também o seu sucesso eleitoral são indicadores de construções e práticas políticas que têm ganhado espaço”

Bárbara Campos

Para a reportagem, a solução foi reduzir a pesquisa às 26 capitais e conferir, entre os candidatos, quem parecia diferente. Na maioria das vezes, o nome de urna já abduzia o olhar. Mandata Coletiva das Pretas, Frente Democrática, Ubuntu Periferia, Ganja Coletiva, Movimento Coletivo, Recife Resiste, Bancada Divergente, Pela Vida das Mulheres e outras palavras de ordem ecoavam vozes desse outro país, cujos ingredientes não aparecem na receita política tradicional.

Mas tinha candidatura coletiva que, para a Justiça Eleitoral, usou simplesmente o nome da porta-voz e eu só soube da proposta de mudança política por trás daquele rosto graças aos jornais regionais. Era tiro e queda. Onde tinha uma chapa “diferentona” dessas, aparecia uma notícia na editoria de política local tratando-a como um alienígena. De outro planeta, a “novidade”, a “surpresa”, “exóticas” e todos esses clichês.

Tudo checado, obtive a lista com 117 candidaturas nas capitais alinhadas ao ideário que pautou a reportagem. Excluí da relação quem utilizou um “coletivo” no material de campanha, mas era só marketing. Só contabilizei quem, na propaganda, aparecia lado a lado com seus colegas de chapa e, no final, somando co-vereadoras e co-vereadores, encontrei 584 pessoas compartilhando essas candidaturas coletivas. E seus 295 mil eleitores – 1,5% dos votantes das capitais.

Continua após a publicidade

Imagina juntas

“Levando em consideração as candidaturas coletivas que têm obtido sucesso nas urnas, percebemos, na maior parte das vezes, que a construção do mandato surge como resposta a pelo menos dois fenômenos: a sub-representação política de minorias e o sentimento popular, muitas vezes estimulado pelos veículos de comunicação, de insatisfação com a política brasileira tradicional”, constatou Bárbara Lopes, da UFMG, na sua pesquisa.

Para ela, o “brutal assassinato da vereadora Marielle Franco, do Rio de Janeiro” foi uma das circunstâncias que deve ser considerada por quem busca entender “o crescimento expressivo das candidaturas de mulheres negras em mandatos coletivos e tradicionais”. Num raciocínio semelhante, Guilherme Russo entende que “elas [as candidaturas coletivas] parecem ser resultado de um sentimento de falta de representação”.

Continua após a publicidade

Chamando-as de “inovação na política eleitoral”, o pesquisador da FGV entende que, na campanha em si, a organização em coletivos facilita a divisão do trabalho, o acesso a recursos financeiros e dá mais suporte psicológico aos envolvidos, “dado que fazer campanha demanda muito fisicamente e mentalmente”. “Se fosse para ser [candidata] sozinha a gente não ia, mas vimos sentido em nos lançarmos coletivamente. [Do tipo] me dá a mão, que a gente vai juntas, enfrentar os desafios juntas”, disse Lívia Guilardi, da Coletiva Bem Viver.

Para a co-vereadora, na chapa de cinco candidatas cuja porta-voz é Cíntia Mendonça, os eleitores delas foram mulheres jovens. “[São pessoas] que se identificam com essa possibilidade diferente de representatividade e vê nas coletivas o negro, o periférico, o indígena, os trans e LGBTQIA+. É o perfil de quem não se sente representado, não acredita no sistema e quer uma alternativa”, analisa. Para Lívia Guilardi, os inimigos são o ambiente conservador, o machismo e o racismo estrutural.

“Quando nós observamos o nosso mapa de votação”, diz Louise Santana, co-vereadora da coletiva Nossa Cara, de Fortaleza (CE), “tivemos votos em todas as áreas da cidade. Tivemos votação significativa nas periferias, mas também em colégios eleitorais das áreas nobres da cidade. Tem que ver quão diversa uma candidatura coletiva acaba sendo, pois ela consegue atingir, alcançar de forma muito plural sujeitos diversos e plurais. Nossos eleitores são pessoas que acreditaram ser possível uma outra representação social”.

Continua após a publicidade

Abaixo a hierarquia

“O Coletivo Nós não nasce por conta de uma candidatura. Já trabalhamos juntos há muito tempo. Nós seis nos conhecíamos de espaços comunitários, de lutas sociais, do movimento da infância e de mulheres, da própria Pastoral da Juventude, que é uma organização de jovens da Igreja Católica”, relata Jhonatan Soares, porta-voz da chapa, formada por seis pessoas, que se tornou a primeira candidatura coletiva eleita em São Luís (MA). O grupo, diz ele, está junto desde 2018 e quis trocar o “antiquado” pela “esperança”.

-
Kareen Sayuri/Redação

“Não existe um porta-voz”, ele próprio me corrigiu. “Existem seis representantes, seis vozes que falam em nome do Coletivo Nós. O Jhonatan não tem mais importância que os outros. Todos são iguais, vão trabalhar juntos e são reconhecidos nas suas comunidades como vereadoras e vereadores”, continuou, para depois me explicar que eles aprovaram um estatuto do mandato, com regras sobre cada tomada de decisão, e que trimestralmente farão reuniões públicas, pela cidade, “para defender o que o povo definiu como prioridade”.

Em São Paulo, a Bancada Feminista respondeu conjuntamente às perguntas, de tão a sério que levam a ideia da candidatura coletiva. “A escolha da Sílvia [Ferraro] como a pessoa a cumprir a formalidade da ocupação do cargo de vereadora se deu através de um balanço que levou em conta a sua candidatura ao Senado pelo Psol em 2018 e a potência e alcance conquistados com ela. Mas gostamos de deixar nítido que é uma formalidade e que lutaremos para alterá-la o quanto possível. A Bancada Feminista é composta por cinco covereadoras sem qualquer hierarquia entre nós, apenas divisões de tarefas”.

É difícil não pensar, jornalisticamente falando, sobre os limites deste novo modelo de representação coletiva. Confrontado com a questão, Marco Antonio Faganello, doutorando em Ciência Política na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cuja pesquisa aborda as consequências da fragmentação partidária, ponderou não ver nas candidaturas coletivas um problema para a organização do sistema político no Brasil. “Pode até ser bom”, afirma, no sentido “que essas candidaturas tendem a ser mais programáticas”.

“Afinal, não faria sentido unificar pessoas muito diferentes em torno de uma candidatura. Elas tendem a se pautar mais por um conjunto de bandeiras e programas ideológicos. Nisso acho que a esquerda leva uma vantagem. No campo da direita a coesão ideológica, no Brasil, é muito recente. O Partido Novo creio que seja o que chegue mais perto disso. O bolsonarismo também, mas ele não parece ser capaz de se organizar muito bem e o radicalismo tende a isolar o movimento no longo prazo”, analisou.

Continua após a publicidade

“Alargar a democracia”

“A Câmara Municipal de Belo Horizonte [MG] é muito conservadora”, constata Rubinho Giaquinto, covereador e único homem entre as sete componentes da Coletiva BH, cuja porta-voz é Sônia Lansky. A chapa tem 9 mulheres e 2 homens. “Vamos buscar novas maneiras de alargar a democracia dentro dos limites da democracia liberal. Nossa organização vai ser a mais horizontalizada possível, com muita isonomia. Queremos imprimir uma nova cultura política, fazendo plenárias territoriais e dialogando muito com as periferias, com as favelas. É a nossa maior missão política”, defendeu.

-
Kareen Sayuri/Redação

Diferente das demais eleitas, a Coletiva BH dá centralidade na sua plataforma à defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). “A pandemia no Brasil escancarou o racismo estrutural e a desigualdade histórica. O governo de Bolsonaro não tomou medidas concretas de contenção da covid-19, então nós vamos organizar a população, vamos até a prefeitura, não só para fechar a cidade [garantindo o distanciamento social], mas para ter o auxílio emergencial, para ter a segurança alimentar e o retorno às escolas. Precisa de um conjunto de políticas públicas para a população mais vulnerável”.

Distante 1.400 quilômetros de Belo Horizonte, Laina Crisóstomo, Gleide Davis e Cleide Coutinho formaram a chapa Pretas por Salvador. E a vitória eleitoral, pelo visto, é só o começo numa longa estrada de obstáculos até o reconhecimento. “A gente sente dificuldades desde o começo, por não haver o reconhecimento que nós somos uma mandata coletiva”, desabafa Laina, mulher, preta e porta-voz da primeira candidatura coletiva da cidade. “A gente sofre muitos ataques neste sentido, desde a posse, desde a primeira sessão que a gente participou. E, ao mesmo tempo, a gente sente esse acolhimento da novidade, desse processo de desconstrução do que era antes a ocupação do poder”.

“Mas é também aquela dificuldade que a gente já sentia todos os dias”, continuam as Pretas por Salvador, “pois somos mulheres, negras, somos LGBTs, de religiões diversas, de locais da cidade diferentes, somos periféricas e com histórias de vida muito diferentes. As expectativas para esses quatro anos? É que essa mandata não é de Laina, nem de Cleide e nem de Gleide. Ela é um projeto político. A gente quer fazer com que a Câmara de Salvador seja [uma] casa do povo, que o povo participe das decisões, que a gente consiga trazer as pessoas para esse espaço. Elas precisam ser parte do processo de decisão”.

Tentei, mas falhei em conversar com o Quilombo Periférico, em São Paulo. Imagino que não faltará oportunidade no futuro próximo de compensar isto, até porque algumas das entrevistas aqui foram obtidas após várias tentativas de contato. Vai ser preciso que o jornalismo insista em registrar essa mudança e que seja humilde para ouvi-la como ela é, pois a democracia brasileira está trocando de pneus enquanto percorre uma estrada esburacada.

É de morrer de curiosidade ter que esperar quatro anos para revisitar essa reportagem, para poder comparar a realidade futura com a crueza dos fatos de hoje. Ontem, 1,5% dos eleitores rasgaram a receita da velha política. E amanhã? Parte desta resposta depende de uma ação do Congresso Nacional, onde tramita uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 379/2017) que autoriza o registro das candidaturas coletivas, e projetos semelhantes (4475/2020 e 4724/2020, por exemplo) que buscam incluir a possibilidade de divisão do mandato na Lei das Eleições, alargando a democracia.

Continua após a publicidade
Tags Relacionadas
mais de
envolvimento
Como sair de relações tóxicas, que afetam a saúde física e emocional? Especialistas e vítimas contam suas histórias 
A primeira deputada estadual trans do Brasil fala sobre infância, futuro, política e inspirações para transformar o presente
Bloqueio de contas, denúncia e exclusão de ensaios de seminudes com modelos negras plus sizes deixam dúvidas sobre as políticas da plataforma
Capa_2

Consciência através da fala

Por
No Instagram, o Dicionário Consciente mostra como nossas conversas estão cheias de preconceitos e escancara problemas estruturais da sociedade brasileira
bookster.abre.azul

Sobre ler e ser livre

Por
À frente do Bookster, perfil literário com mais de 300 mil seguidores, Pedro Pacífico mostra a transformação que a leitura pode proporcionar