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Não é só uma fase

A bifobia permanecerá velada enquanto pessoas bissexuais tiverem suas identidades invisibilizadas e deslegitimadas

por Heloisa Aun Atualizado em 22 mar 2021, 17h54 - Publicado em 21 mar 2021 22h11
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Marília Mafé/Ilustração

Não é “confusão”, “indecisão”, “moda” ou “promiscuidade”. A bissexualidade é uma orientação sexual e, assim como as muitas outras e as identidades de gênero que compõem a sigla LGBTQIA+, tem suas particularidades. Apesar dos avanços nas discussões contra qualquer tipo de preconceito, o grupo representado pela letra “B” ainda permanece invisibilizado em toda a sociedade, estruturalmente monosexista, e também dentro da própria comunidade. “O nosso lugar não é o do ‘meio termo’. Eu não sou ‘meio hétero’ e ‘meio gay’, ou 25% gay e 75% hétero. Eu sou 100% bissexual”, afirma o massoterapeuta e estudante de psicologia Guilherme Rangel, de 25 anos.

“O nosso lugar não é o do ‘meio termo’. Eu não sou ‘meio hétero’ e ‘meio gay’, ou 25% gay e 75% hétero. Eu sou 100% bissexual”

Guilherme Rangel

A visão estereotipada e a exclusão de bissexuais têm impactos em sua saúde mental. De acordo com o estudo Bisexuality, mental health and media representation – Bissexualidade, saúde mental e representação na mídia, em tradução livre, – de Hannah Johnson, publicado em 2016, mais de um terço dos homens bissexuais e quase metade das mulheres bissexuais já consideraram ou tentaram suicídio. Em relação ao gênero feminino, elas são 5,9 vezes mais propensas a cometer suicídio do que as heterossexuais.

A bifobia, termo utilizado em referência ao preconceito contra esse grupo, se dá a partir de agressões físicas ou verbais, entre outras. “Eu achei que você fosse homem de verdade” – foi a frase que Guilherme ouviu de uma mulher cisgênero heterossexual durante uma festa em Niterói, no Rio de Janeiro. Para ele, o comentário representou uma violência psicológica, pois o diminuiu e o fez questionar-se sobre a relação com o próprio corpo e com os demais. “Isso mexeu com minha autoestima e trouxe à tona o seguinte questionamento: como homem cis bi, posso satisfazer as pessoas emocionalmente e sexualmente? Foi um processo me libertar desse pensamento bifóbico”, completa.

Esse tipo de discriminação é disseminado, principalmente, por mulheres heterossexuais, segundo o estudante. Por isso, ele ficou algum tempo sem sair com mulheres, uma vez que acreditava que “não era o bastante” para elas. Felizmente, Guilherme venceu essa série de estereótipos graças a muita terapia e, hoje, é muito feliz e confortável com sua bissexualidade. “Muitas meninas, ao me verem beijando um homem ou descobrirem minha orientação sexual, desistem de ficar comigo, mesmo após demonstrarem interesse. Mas eu não sou ‘menos homem’ por ficar com pessoas de todos os gêneros”, reflete.

Entender-se como bissexual teve relação direta com a percepção sobre a interseccionalidade entre racismo e bifobia. “Enquanto homem negro bi, sofro com a hipersexualização, tanto em uma expectativa de performance de masculinidade heteronormativa, como a respeito de um alto nível de preconceito contra bichas pretas”, reitera o massoterapeuta. “Ser homem preto e bi é ser invisibilizado duas vezes, já que as pessoas não te enxergam como ser humano. Quando você é negro, se torna objeto sexual. Quando você é bi, é tratado como promíscuo ou indeciso”, acrescenta. Entrar em contato com sua bissexualidade foi compreender que ele pode ser quem quiser.

“Ser homem preto e bi é ser invisibilizado duas vezes, já que as pessoas não te enxergam como ser humano. Quando você é negro, se torna objeto sexual. Quando você é bi, é tratado como promíscuo ou indeciso”

Guilherme Rangel

Militante de causas étnico-raciais e futuro psicólogo, Guilherme costuma falar sobre o assunto a partir da lógica da interseccionalidade com outras causas, incluindo sexualidade, gênero e a forma como nos relacionamos. Recentemente, o ocorrido com o participante Lucas Koka Penteado, do Big Brother Brasil, lhe despertou um gatilho. “Esse dia foi extremamente difícil, só quem estava ao meu lado sabe meu sentimento. Tudo isso representou o que aconteceu comigo no passado”, diz. Para ele, a história do ex-BBB é repleta de complexidades. Primeiro porque “ele não era bissexual assumido para a família e amigos”; em segundo lugar, “por ser um homem negro de quebrada”; por último, porque não demonstrou carinho por outro cara heteronormativo como ele, mas sim, por Gilberto, “um homem negro, gay e afeminado”.

Para o estudante, as reações dentro do reality mostraram de que forma a sociedade e a comunidade LGBTQIA+, muitas vezes, reagem à bissexualidade de homens como eles. “Na mesma intensidade que essa pressão psicológica me corta, também motiva a me esforçar para fazer um bom trabalho em minha futura profissão.” Hoje, Rangel não tem receio em demonstrar carinho e afeto. “Não tenho motivos para esconder o que eu sou e quero espalhar amor de verdade por aí. As coisas são complicadas, sim, mas espero que outros pretinhos, assumidos ou não, sejam fortes para lidar com esse processo”, finaliza.

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Marília Mafé/Ilustração

B não é de biscoito

O estudante de filosofia Nathan Góes de Santana, 25, de São Paulo, sofreu inúmeras violências psicológicas ao falar que é um homem trans bissexual. Essas agressões partiram de homens cis gays, em sua maioria, e de mulheres cis lésbicas. “As letras L e G da sigla nos veem de uma forma diferente, como se pessoas trans fossem ‘a cura gay progressista’, nas palavras de alguns integrantes desses grupos”, pontua ele, que trabalha como técnico de suporte, porém está afastado de seu trabalho pelo INSS por problemas psiquiátricos.

Homens cisgêneros gays já fizeram comentários terríveis sobre o jovem, como acusá-lo de ser uma “aberração” e que não pode “comer” alguém de verdade. “Eles ficam ainda mais indignados ao saberem que sou bissexual, pois, na visão deles, eu estaria obrigando homens gays a ficarem comigo”, mostra.

“Eles ficam ainda mais indignados ao saberem que sou bissexual, pois, na visão deles, eu estaria obrigando homens gays a ficarem comigo”

Nathan Góes de Santana

De acordo com Nathan, isso ocorre porque muitas pessoas dentro da comunidade LGBTQIA+ esperam que homens trans sejam heterossexuais. “Eu preciso explicar que não sou uma mulher lésbica, mas, sim, um homem trans e que homens trans podem ser bissexuais.” Mesmo assim, as ofensas não param por aí. “Há quem me chama propositalmente no feminino ou diz que falta o ‘princiPAU’ em mim”, expõe ele, que normalmente fica sem reação frente a essas situações.

Antes de iniciar a transição de gênero, Nathan se assumiu primeiramente como uma mulher lésbica, já que, há alguns anos, tinha pouco conhecimento sobre transexualidade. “Eu sempre soube que não era mulher, desde criança”, evidencia. Depois de “se aceitar trans”, em 2019, começou a questionar sua sexualidade ao se interessar também por homens. No meio do ano passado, se entendeu bissexual.

Já para o músico Theodoro Henrique Miranda, de 23 anos, a bifobia dentro do movimento LGBTQIA+ é muito forte e só perde para a transfobia. Nascido em Sertãozinho, no interior de São Paulo, o homem trans sabia há muito tempo sobre sua bissexualidade, antes mesmo da transição de gênero. No entanto, tentou esconder e se passar por heterossexual, e só conseguiu aceitar isso há um ano, com a ajuda de sua namorada, que é cis e bissexual. “Eu mesmo era preconceituoso com minha orientação sexual”, afirma.

“Quando falo que sou bi, surgem sempre as piadinhas: ‘bichona’, ‘se você é bi eu também sou’, entre outras. É um preconceito muito velado e humilhante, que vem de forma cômica, como se a minha identidade não tivesse legitimidade.”

João Pedro Branco

Embora não seja possível generalizar, a bifobia dentro da comunidade LGBTQIA+ é uma realidade, como declararam outros entrevistados desta reportagem. Guilherme Rangel, que é não monogâmico, conta que muitas pessoas associam automaticamente os bissexuais a quem pode trair “duas vezes mais” seus companheiros. “Esse preconceito ainda é muito forte, tanto é que dentro da comunidade muitos bis só se relacionam com outras da mesma orientação sexual”, ressalta.

Em blocos de Carnaval LGBT, homens homossexuais chegaram a brigar com o estudante de Niterói porque o viram beijando uma mulher. “Falaram que lá não era lugar para isso por ser um bloco LGBT. E eu respondi: o ‘B’ está aí para isso, senão seria GLS”, acrescenta. “Já me disseram que não sou viado suficiente. Isso me diminui enquanto ser humano, sobretudo.”

O publicitário alagoano João Pedro Branco, 25, que vive atualmente em São Paulo, relata que grande parte das discriminações que vivenciou por ser bissexual veio de dentro do movimento, especialmente de homens gays. Mas, segundo ele, isso se deve ao fato de seu ciclo ser formado predominantemente por tais pessoas. “Sofro todos os dias por ser um homem mais afeminado, sem voz grossa e sem trejeitos másculos impostos pela sociedade”, analisa. “Quando falo que sou bi, surgem sempre as piadinhas: ‘bichona’, ‘se você é bi, eu também sou’, entre outras. É um preconceito muito velado e humilhante, que vem de forma cômica, como se a minha identidade não tivesse legitimidade.”

Esse silenciamento tem limitado possíveis investidas de João em mulheres porque mexeu com sua autoestima. Logo que terminou seu relacionamento com uma mulher, tentava se aproximar de possíveis crushs em festas, e escutava com frequência: “lá vem esse ‘viado’ querer me pegar e não vai conseguir me comer” ou “ele é uma bicha”. “Eu sou o cara que estará rebolando e que pode estar de saia ou unha pintada. Se eu fosse mais másculo seria aceito?”, provoca.

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Marília Mafé/Ilustração

Não somos fetiche

A violência de gênero e o machismo afetam de inúmeras maneiras as mulheres bissexuais, como reitera a advogada Thaís Boamorte, 29, de Ponta Grossa, no Paraná. “Somos fetichizadas, vistas como promíscuas, que vamos querer fazer ménage ou que vamos ‘trocar’ o homem por uma mulher. Isso acontece porque a bissexualidade é entendida socialmente enquanto uma sexualidade transitória entre ser gay e lésbica ou heterossexual.” Além de sua atuação no meio jurídico, ela é militante e trabalha em conjunto com a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no grupo Aliança Nacional LGBTI sobre a promoção de direitos para toda a comunidade.

O apagamento das pessoas bissexuais foi um dos motivos que fez com que o processo para descobrir sua orientação sexual fosse tardio. “Saí do armário aos 20 anos, pouco tempo antes de engravidar, aos 21. Para mim, tudo era confuso e demorei para entender o que estava acontecendo, mas, naturalmente, descobri que minha atração sexual e emocional não se restringia a homens”, lembra.

“Somos fetichizadas, vistas como promíscuas, que vamos querer fazer ménage ou que vamos ‘trocar’ o homem por uma mulher. Isso acontece porque a bissexualidade é entendida socialmente enquanto uma sexualidade transitória entre ser gay e lésbica ou heterossexual”

Thaís Boamorte

Desde então, é alvo de ofensas que afetam sua saúde mental, por exemplo, que tem “privilégio hetero” por seu companheiro atual ser do gênero masculino. “Ouvi que não sou bi ou que sou ‘bi de festa’. É um preconceito recorrente, como se não existíssemos.” Ao mesmo tempo, quando tentou se relacionar com mulheres, muitas pessoas diziam que ninguém iria querer ficar com ela, pois “corta para os dois lados” e “sempre vai preferir os machos”. Dentro da família, isso não é diferente, mas a bifobia se dá de forma internalizada. “Nós nem discutimos isso, já que me relaciono agora com um homem”, completa.

Os estereótipos relacionados a mulheres bissexuais fizeram com que Luana*, 32, que também é advogada, nunca tenha falado sobre sua orientação sexual para seus pais. Moradora do Rio de Janeiro, ela sente na pele a falta de credibilidade das pessoas quando fala que é bi. “Isso é tão forte socialmente que eu me questionei muito se eu era mesmo, apesar do desejo afetivo e sexual por mais de um gênero. E essa atração não é constante na minha vida, como gosto de ressaltar: tem épocas que me sinto atraída por mulheres, em outras por homens”, relata. “Passei a me entender como bissexual há três anos, quando virei voluntária em uma ONG LGBT. Entendi a importância política desse ato [de assumir sua orientação sexual], fundamental para a nossa luta contra vários tipos de violência.”

Mulher cis e bissexual, Luana* vivenciou diferentes tipos de preconceitos por parte de grupos distintos. Há algum tempo, ela estava em uma praça com outra mulher, se beijando, e um casal hétero se aproximou para ofendê-las. “Eles falaram que a gente não poderia fazer ‘aquilo’ naquele local, pois tinham crianças próximas”, narra a advogada.

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Em outra ocasião, há dois anos, ela estava em um samba com uma amiga, quando conheceu uma outra mulher, que na época era namorada de uma colega de trabalho. “A mulher começou a perguntar sobre minha bissexualidade e eu me abri intimamente. Quando vi, ela estava deslegitimando completamente minha sexualidade. Disse, ainda, que eu enfraquecia o movimento LGBT. Aquilo tudo foi violento, eu só queria ir embora.”

“Não tem o menor sentido essa relação. É capacitismo alguém me dizer que sou bi porque quero ter a segurança de um relacionamento e também é bifobia, já que torna toda minha orientação sexual voltada para o ato de me relacionar com alguém”

Priscila Saatmam

Além do machismo e da bifobia, a escritora Priscila Saatmam, 29, de Pernambuco, sofre outro preconceito: o capacitismo. A pernambucana, que nasceu com paralisia cerebral, sempre teve a sensação de não ser heterossexual, mas não deu tanta atenção a isso em um primeiro momento, pois estava tentando se entender enquanto pessoa com deficiência (PcD). Há quatro anos, ao entrar mais a fundo nas redes sociais, chegou à conclusão de sua orientação sexual.

As situações mais incômodas, desde então, são aquelas em que sugerem que ela está confusa ou que sua bissexualidade é decorrente de ser PcD. “Não tem o menor sentido essa relação. É capacitismo alguém me dizer que sou bi porque quero ter a segurança de um relacionamento e também é bifobia, já que torna toda minha orientação sexual voltada para o ato de me relacionar com alguém”, afirma.

Geralmente, esses comentários têm muito a ver com o ato sexual, como se bissexuais fossem apenas seres que querem transar. Nesse sentido, a discriminação exclui uma infinidade de intersecções, por exemplo, o fato de Priscila ser demisexual — quem tem atração sexual/romântica após o estabelecimento de vínculo emocional. “São casos que agridem a autoestima e nos deixam inseguros sobre nossa sexualidade.”

Ser bissexual, de acordo com a escritora, é viver uma constante saída de armário e ter que, a todo momento, explicar a atração por pessoas. “É muito difícil manter-se psicologicamente bem quando ouço ou leio algo que trata a bissexualidade de forma pejorativa. E isso não se dá apenas na família, mas sim, em todo lugar onde expressamos nossa sexualidade”, pontua, em referência ao ocorrido com Lucas, do BBB. “A situação foi tão dolorosa que chorei e passei dias mal. Estatisticamente, somos o grupo que mais tem sofrimento psíquico e uma alta taxa de suicídios”, conclui.

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Marília Mafé/Ilustração

Visibilidade bi

Reagir, responder, ignorar. Os casos de bifobia, assim como qualquer outro preconceito contra pessoas LGBTQIA+, são inúmeros e, na realidade, ninguém sabe como irá reagir a algum tipo de agressão. Por cansaço, muitos bissexuais se abstêm de explicar e lidar com os mesmos comentários diariamente.

Foi o que aconteceu com João Pedro Branco. “Minha posição agora é de debochar e fingir que não existe. Eu sofri muito e, no passado, tive a fase de brigar, a de ensinamento… Em seguida, passei para a conduta de responder ‘alfinentando’ e, agora, falo ‘então tá’ ou nem respondo.” Já Priscila Saatmam oscila entre algumas reações: às vezes fica triste e se cala; em outras, sente raiva e se expressa. “A principal dica que tenho é estar próxima de amigos, principalmente bissexuais, que entendam minha dor.”

Esse entendimento foi o ponto de partida para a criação da página no Instagram Não É Só Uma Fase, idealizada pela cabeleireira Paula Raisa Monteiro, moradora de Ujuí (RS), por Diego do Vale Ribeiro Sodré, modelo nascido na Bahia, mas residente de São Paulo (SP), e pelo ilustrador e designer gráfico cearense, Dennys Keven de Araújo do Nascimento. A iniciativa, que também conta com um canal no YouTube, propõe ajudar pessoas bissexuais com conteúdos sobre a temática e troca de diálogo entre elas.

A ideia para lançar o projeto partiu de Paula, que começou a pesquisar sobre bissexualidade e não encontrava muita informação, além de ver muitos materiais bifóbicos. Ela queria se sentir parte da comunidade LGBTQIA+, uma vez que era vista como hétero por ser casada com um homem. Em seguida, convidou Dennys e Diego para a ajudarem na tarefa de criar os posts. “Sempre recebo mensagens de agradecimento, pessoas falando que eu as ajudei de alguma maneira. É muito gratificante saber que você conseguiu auxiliar alguém, não tenho nem palavras”, ressalta Diego.

Os três responsáveis pelo Instagram tiveram experiências distintas de bifobia, dentro e fora do ambiente familiar. Paula foi “tirada do armário” um dia antes de contar aos pais. “Meu pai foi bem mais tolerante do que imaginei, mas minha mãe ficou sem falar comigo uns meses por causa da forma como ficou sabendo. Felizmente, hoje em dia nos damos muito bem”, recorda. Mais recentemente, enfrentou preconceito por parte da família de seu atual marido. “Demoraram para querer me conhecer e disseram coisas que prefiro nem citar. Mais de uma vez, ouvi comentários do tipo: ‘seu marido não tem ciúmes?’ ou ‘vocês fizeram ménage, né?’”, relata a cabeleireira, que sente na pele a fetichização da mulher bi.

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Já Diego não tem a aceitação da família até hoje. “Uns acham que sou gay enrustido e outros têm aquela esperança de que é só uma ‘fase’ e que logo irei conhecer uma mulher para casar”, diz. Quando assumiu a bissexualidade, aos 18 anos, teve de lidar com toda a pressão e invalidação, o que só foi possível com dois anos de terapia. “A sociedade cobra muito de pessoas bissexuais por uma decisão, fiscalizando nossas vivências e desacreditando da nossa verdade. Muitos de nós vivem uma sensação de não-lugar, de não-pertencimento, porque onde a gente deveria ser acolhido somos bombardeados de bifobia. Oprimido se tornando opressor é o maior retrocesso”, reitera.

“É muito gratificante saber que você conseguiu auxiliar alguém, não tenho nem palavras”

Diego do Vale Ribeiro Sodré

Ao mesmo tempo, Dennys sempre teve a aceitação dos pais, mas o estigma social o colocou em um lugar de apagamento. “Para nós, a afetividade é muito negada. Ouvir que ‘só queremos sexo’ ou que ‘só pensamos nisso’ é o que mais me afeta atualmente”, reflete o ilustrador, que vê a página no Instagram, sobretudo, como um local de acolhimento e criação de identidade entre bissexuais.

*O nome da entrevistada marcado com asterisco foi alterado para preservar sua identidade

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As imagens que você viu nessa reportagem foram feitas por Marília Mafé. Confira mais de seu trabalho aqui.

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